Tigrinho nas Eleições: Flávio Bolsonaro acusa Lula e PT reage

Em pleno ano eleitoral, a controvérsia sobre o “Tigrinho” ganha destaque nas Eleições. O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), resolveu usar um “chá revelação” para fazer uma acusação política inusitada: apontar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o “pai do Tigrinho”. O palco para a encenação foi um ato de campanha em Aracaju, neste domingo, 27 de setembro de 2026. A jogada, que busca colar a imagem de Lula a um jogo de azar online polêmico, já provocou uma reação da campanha petista, que acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por considerar a propaganda desinformativa.

O Jogo da Polêmica: Entenda o “Tigrinho”

Para quem ainda não está familiarizado, o “Jogo do Tigrinho” é um cassino online, uma espécie de caça-níqueis virtual, que ganhou fama (e má fama) no Brasil nos últimos anos. Desenvolvido por uma empresa maltesa, o sistema é hospedado fora do país e opera sem registro oficial por aqui, sendo considerado um jogo de azar ilegal. A promessa de ganhos fáceis atraiu muita gente, inclusive menores de idade, mas o que se viu foram relatos de vício, endividamento pesado e, em casos extremos, tragédias pessoais. A polícia já fez diversas operações, prendendo influenciadores digitais que promoviam o game e investigando esquemas de lavagem de dinheiro ligados à plataforma.

A Acusação e a Defesa no Tabuleiro Eleitoral

Flávio Bolsonaro tem batido na tecla de que o governo Lula é o grande responsável pela entrada e proliferação desses jogos de cassino online no mercado brasileiro, acusando o presidente de “afundar o brasileiro em dívida” e de ter provocado vício em milhões de famílias. O senador defende a proibição dos cassinos online, mas faz uma distinção em relação às apostas esportivas, as chamadas “bets”. No calor da campanha, ele chegou a classificar a recente Medida Provisória (MP) do governo Lula, que proíbe as bets, como uma atitude “hipócrita, eleitoreira e populista”, feita às vésperas da eleição.

Do outro lado, a coligação “Brasil Pronto pra Mais”, que reúne PT e partidos aliados, não demorou a reagir. Eles acionaram o TSE, alegando que a propaganda de Flávio Bolsonaro dissemina desinformação e busca enganar o eleitor. A defesa de Lula e seus aliados é clara: a legalização das apostas de quota fixa (bets) aconteceu em 2018, ainda no governo de Michel Temer (MDB). O que o governo Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, não fez foi a regulamentação necessária, deixando o setor operar sem fiscalização e sem recolhimento de impostos até 2022. A gestão Lula, em 2023, foi quem, de fato, regulamentou o setor, buscando estabelecer regras e tributar as operações.

A Caneta do governo e o Impacto no Bolso do Cidadão

Em um movimento estratégico, o governo Lula publicou, em 25 de setembro de 2026, uma Medida Provisória que proíbe as apostas online no Brasil. Essa MP, que entra em vigor imediatamente, precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para se tornar lei definitiva. Quem tem saldo nas plataformas tem até 5 de outubro para fazer o saque.

Para a população, a proibição desses jogos pode significar um alívio para muitas famílias que viram seus membros se endividarem e se viciarem. Por outro lado, a regulamentação anterior, defendida pelo governo Lula, buscava trazer para a legalidade um mercado que já existia, com a promessa de arrecadação de impostos que poderiam ser revertidos em serviços públicos. A falta de fiscalização, antes da regulamentação, deixava o cidadão à mercê de plataformas sem compromisso com a segurança e a integridade dos apostadores.

O Veredito do TSE e as Consequências Eleitorais

Agora, a palavra final sobre a legalidade da propaganda de Flávio Bolsonaro está com o Tribunal Superior Eleitoral. A coligação de Lula pede a retirada do ar da propaganda, direito de resposta e até multa por propaganda eleitoral negativa.

Essa briga em torno do “Tigrinho” é um exemplo claro de como questões com grande impacto social viram munição na corrida eleitoral. De um lado, a oposição tenta associar o governo a um problema que afeta diretamente o bolso e a vida das pessoas. De outro, o governo busca defender suas ações como medidas responsáveis para organizar um mercado que já existia, mas sem controle. Para o eleitor, o desafio é separar o joio do trigo, distinguindo as propostas concretas das jogadas de marketing que, muitas vezes, usam fatos distorcidos para pedir o seu voto. O TSE, nesse cenário, tem a missão de garantir que a disputa seja justa e transparente, coibindo a desinformação que pode prejudicar a lisura do processo democrático.