TSE divulga tempo de rádio e TV para candidatos à Presidência 2026

O Tribunal Superior eleitoral (TSE) bateu o martelo: o tempo de rádio e TV que cada candidato à Presidência da República terá nas Eleições de 2026 foi divulgado, e a corrida pelo Palácio do Planalto já tem seus primeiros “minutos de fama” definidos. A propaganda eleitoral gratuita, que vai ao ar entre 28 de agosto e 1º de outubro, mostra uma disparidade que já é velha conhecida do eleitor brasileiro.

O Palco da Disputa e Seus Atores

Em um ano eleitoral, o horário político segue sendo um dos principais palcos para os candidatos tentarem fisgar o eleitor. Mesmo com a explosão das redes sociais, a televisão e o rádio ainda alcançam milhões de lares, especialmente em regiões onde a internet não chega com a mesma força. É um espaço valioso, “gratuito” para os partidos, mas pago indiretamente por todos nós, cidadãos, que cedemos parte da programação para essa vitrine da democracia.

Para 2026, a coligação “Brasil Pronto para Mais”, que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reúne partidos como PSB, PDT, Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e Federação PSOL/Rede, garantiu a maior fatia: 5 minutos e 31 segundos diários. Logo atrás, aparece Flávio Bolsonaro (PL), com 4 minutos e 20 segundos por dia. É bom notar que o PL optou por não formar coligação com outras siglas, o que impacta diretamente seu tempo. Na sequência, Ronaldo Caiado (PSD) terá 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury (Avante) ficará com 35 segundos diários.

Quem ficou de fora da festa? Candidatos como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não terão espaço nos blocos de propaganda. O motivo é claro e direto: seus partidos não atingiram os requisitos da chamada cláusula de desempenho, uma regra que, na prática, limita o acesso ao horário eleitoral e ao Fundo Partidário.

Quem Armou o Jogo? As Regras do tempo de TV

A distribuição desse tempo não é feita ao sabor do vento. Ela segue regras estabelecidas na Lei nº 9.504/97, conhecida como Lei das Eleições, e na Emenda Constitucional 97/2017, ambas propostas e aprovadas pelo Congresso Nacional. O Tribunal Superior eleitoral (TSE) é quem regulamenta e aplica essas normas, por meio de resoluções e portarias, como a Portaria nº 460/2025 para este ciclo eleitoral.

Funciona assim: 90% do tempo total é distribuído de forma proporcional ao número de deputados federais eleitos por cada partido ou federação na eleição anterior (neste caso, em 2022). Os 10% restantes são divididos igualmente entre as legendas que superaram a cláusula de desempenho. Ou seja, quem tem mais deputados no Congresso, tem mais voz no rádio e na TV. As coligações, como a que apoia Lula, somam o tempo de todos os partidos que as compõem, o que explica a vantagem de minutos.

O Efeito no Bolso e na Escolha do Eleitor

Para o cidadão comum, essa matemática tem um impacto direto. Quanto mais tempo um candidato tem, mais ele aparece, mais suas propostas (ou promessas) chegam à sua casa. Isso pode, sim, influenciar a decisão de voto, como mostram pesquisas que apontam a importância do horário eleitoral para o eleitor, mesmo que a audiência completa dos blocos não seja das maiores. No entanto, a concentração de tempo nos maiores partidos acaba limitando a visibilidade de candidaturas menores, reduzindo a pluralidade de vozes e ideias no debate público.

No campo econômico e político, o sistema atual reforça um poder centralizado. O acesso ao tempo de TV, junto com o Fundo eleitoral, se torna um trunfo valioso nas mãos das direções partidárias. Isso influencia diretamente a formação de alianças e a própria viabilidade de candidaturas, concentrando recursos e poder nas cúpulas das legendas.

Além dos blocos diários, as emissoras também reservam 70 minutos por dia para as “inserções” – pequenos comerciais de 30 ou 60 segundos que pipocam na programação ao longo do dia. A coligação de Lula terá 433 inserções, o PL, 339; o PSD, 159; e o Avante, 47. É mais uma frente onde a força das bancadas se traduz em maior exposição.

O Contraponto da Tela e do Microfone

Apesar da importância inegável, o horário eleitoral gratuito enfrenta um desafio: manter o interesse do eleitor. Pesquisas indicam que, embora a maioria reconheça a relevância do espaço, uma parcela menor o acompanha de ponta a ponta. Isso levanta a questão: será que o formato atual, com seus blocos rígidos e a repetição de mensagens, ainda é o mais eficaz para um eleitor cada vez mais conectado e acostumado a conteúdos rápidos e personalizados?

A crítica não é nova e aponta para a necessidade de repensar a forma como a propaganda é apresentada, para que ela realmente esclareça e engaje, em vez de apenas preencher um tempo obrigatório.

O Que Vem Por Aí?

Com o tempo de rádio e TV já carimbado, as campanhas presidenciais de 2026 devem ajustar suas estratégias. Os candidatos com mais tempo terão a “vantagem do microfone”, podendo detalhar mais suas propostas e construir uma narrativa mais elaborada. Para os com menos tempo, o desafio será otimizar cada segundo e buscar alternativas nas redes sociais e em eventos de rua para compensar a menor visibilidade.

A história mostra que ter o maior tempo de TV não é garantia de vitória, mas é um fator de peso. Desde 1994, em cinco das oito eleições presidenciais, o candidato com mais tempo acabou eleito.

No final das contas, quem paga a conta – e quem tem a decisão final – é o eleitor. Cabe a cada um de nós ir além dos segundos na tela e dos minutos no rádio, buscando informações, comparando propostas e discernindo quem realmente está entregando algo concreto e quem está apenas fazendo média para pedir o seu voto. A democracia agradece.