Brasil Primeiro Mundo? Só se for no reino da fantasia

Vamos abrir o jogo: o Brasil jamais será um país de primeiro mundo. Pode chorar, espernear e postar #BrasilNoTopo à vontade nas redes sociais, mas a realidade é implacável.

O que chamamos de “primeiro mundo” não é um status de bom comportamento ou trabalho duro. É o resultado de uma estrutura histórica que começou lá atrás, na Revolução Burguesa, quando alguns países decidiram tomar o controle do planeta — e funcionou. Esses países construíram suas riquezas a partir do capitalismo selvagem, um sistema que só funciona quando uma classe social — a burguesia — aprisiona a outra — os trabalhadores —, expropriando tudo o que eles têm, menos o que vendem: sua força de trabalho.

No capitalismo, não existe almoço grátis, só expropriação — e essa expropriação acontece na direção do centro para a periferia. Ou seja, os países “ricos” (leia-se: “primeiro mundo”) espremeram e continuam espremendo os países “pobres” para manter seu conforto. E nada indica que essa ordem será invertida.

Então, para o Brasil sequer sonhar com o status de “primeiro mundo”, seria preciso romper essa engrenagem — e não com jeitinho, mas com uma revolução estrutural. O país precisaria se isolar temporariamente para construir sua própria burguesia nacional — uma classe empresarial que controlasse toda a produção e acumulasse capital internamente. Só depois disso poderia abrir suas portas para o mercado internacional com alguma chance de competir, e não apenas ser engolido.

Essa é a receita que a Rússia e a China seguiram, de forma (digamos) nada ortodoxa. Essas nações usaram o isolamento imposto por regimes fortes e autoritários para desenvolver suas indústrias, ciência e tecnologia sem ficar refém da burguesia global. Quando já tinham um capital imenso acumulado na mão do Estado, criaram suas próprias burgesias nacionais e partiram para o abraço no mercado mundial — e com poder, não mendigando migalhas.

E o Brasil? Ah, o Brasil está em outro filme. Aqui, a burguesia não quer ser brasileira, não. Eles preferem ser o quê? Cidadãos do mundo ocidental, claro — mas do tipo que sonha com um passaporte europeu, com suas empresas atreladas a multinacionais estrangeiras e com suas fortunas na bolsa de Nova York.

Essa elite brasileira sente um desprezo quase patológico pela ideia de construir algo genuinamente nacional, com raízes e identidade local. Preferem alianças com empresários estrangeiros, alianças que os coloquem como eternos “quase iguais”, cidadãos de segunda classe em seus próprios países.

E a cereja no bolo dessa tragédia? Essa elite não quer, jamais aceitaria, uma burguesia formada por brasileiros negros e mestiços — ou qualquer grupo que represente a verdadeira diversidade do país. A manutenção do status quo passa pela exclusão social e racial, porque admitir o contrário significaria mexer em privilégios arraigados e desconstruir o mito do Brasil “país da democracia racial”.

O resultado? O Brasil segue sendo um país sem elite — porque a chamada elite não é verdadeiramente nacional, nem patriótica. Ela se vê como um apêndice do Ocidente, um capacho confortável que mantém o Brasil na periferia econômica, cultural e política do mundo.

Essa não é uma visão pessimista, é apenas realista. Enquanto essa elite existir e operar dessa maneira, o Brasil continuará refém de uma lógica colonial e dependente, um eterno coadjuvante na peça global.

Quer ser “primeiro mundo”? Então começa a desconstruir essa elite, criar uma burguesia que represente a maioria do povo e, sobretudo, romper com as amarras históricas da dependência.

Mas, sejamos honestos: ninguém com poder real quer isso. E assim, meu amigo, o Brasil continuará a ser aquele eterno “país do futuro” que nunca chega.